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Trabalho e Maternidade

Semana 2

A Economia do Cuidado: Quem Paga a Conta do Seu Trabalho Invisível?

As mulheres realizam 73% do trabalho doméstico e de cuidado não remunerado no Brasil. Se esse trabalho fosse pago, representaria 11% do PIB nacional. Mas ele é invisível, não conta para a aposentadoria e não é reconhecido no divórcio.

Publicado em 27 de março de 2026

As mulheres brasileiras realizam 73% do trabalho doméstico e de cuidado não remunerado. Cuidar dos filhos, dos idosos, dos doentes, limpar, cozinhar, organizar a logística familiar — esse trabalho consome, em média, 21,4 horas semanais das mulheres, contra 11 horas dos homens. Se esse trabalho fosse remunerado pelo valor de mercado, representaria aproximadamente 11% do PIB nacional. É a maior contribuição econômica invisível da história.

Mas esse trabalho não aparece no PIB. Não conta para a aposentadoria. Não é reconhecido no divórcio. Não gera direitos trabalhistas. A mulher que dedicou 20 anos da sua vida cuidando da família enquanto o marido construía a carreira chega à velhice sem contribuição previdenciária suficiente, sem patrimônio próprio e sem reconhecimento legal de nenhuma espécie.

A economia do cuidado é a espinha dorsal da sociedade. Sem ela, o mercado de trabalho para. Sem ela, as crianças não são educadas, os idosos não são cuidados, os doentes não se recuperam. Mas o sistema econômico e jurídico foi construído para não pagar essa conta — e para que as mulheres a paguem sozinhas.

Como deputada federal, proponho três mudanças legislativas urgentes: primeiro, a contagem do tempo de cuidado como tempo de contribuição previdenciária para fins de aposentadoria; segundo, a inclusão obrigatória do valor econômico do trabalho doméstico no cálculo da partilha de bens no divórcio; terceiro, a criação de um salário-cuidado para mulheres que se afastam do mercado para cuidar de filhos com deficiência ou de familiares idosos dependentes.

O trabalho invisível das mulheres sustenta o Brasil. Está na hora de o Brasil sustentar as mulheres de volta.

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