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Trabalho e Maternidade

Semana 4

O Fim do "Pai Ajudante": Por Que Igualar as Licenças é a Única Saída para as Mulheres

Enquanto a licença-maternidade for de 120 dias e a licença-paternidade for de ridículos 5 dias, o mercado continuará penalizando as mulheres. A disparidade nas licenças não é um benefício para a mãe — é uma condenação.

Publicado em 27 de março de 2026

Sempre que discutimos a discriminação contra a mulher no mercado de trabalho, o argumento do empresariado é o mesmo: "mulher engravida e custa caro, o homem não". Enquanto a licença-maternidade for de 120 dias e a licença-paternidade for de ridículos 5 dias, o mercado continuará penalizando as mulheres. A disparidade nas licenças não é um benefício para a mãe; é uma condenação. Ela reforça a ideia machista de que o cuidado com o recém-nascido é obrigação exclusiva da mulher, enquanto o homem é apenas uma visita na própria casa.

Os cinco dias de licença-paternidade são um atestado do Estado brasileiro de que o homem não tem responsabilidade sobre a criança que ajudou a gerar. Isso cria um abismo na contratação. Quando um empregador analisa dois currículos idênticos, um de homem e outro de mulher, ele escolhe o homem porque sabe que a lei não exigirá dele o tempo de cuidado. Para acabar com a discriminação na contratação e na promoção, a única saída jurídica e estrutural é a equiparação das licenças.

Se o homem também for obrigado a se afastar pelo mesmo período, o "risco" de contratação se iguala. Além do impacto no mercado de trabalho, a licença-paternidade estendida e obrigatória quebra o ciclo do "pai ajudante". O cuidado nos primeiros meses define a divisão de tarefas para o resto da vida da criança.

Como deputada federal, lutarei pela aprovação de uma licença parental compartilhada e obrigatória. Não se trata de dar "férias" para os homens, mas de forçá-los a assumir a carga do cuidado e, com isso, retirar o alvo das costas das mulheres no mercado de trabalho. É uma questão de igualdade econômica e de justiça social.

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